Segurança do Paciente no SUS: o que trava a prática?

O paradoxo da segurança do paciente

A consolidação normativa da segurança do paciente no Sistema Único de Saúde contrasta com dificuldades persistentes na sua aplicação cotidiana, especialmente nos serviços de urgência e emergência. Embora o Brasil possua diretrizes formais, protocolos estruturados e Núcleos de Segurança do Paciente instituídos, a realidade assistencial revela um cenário de subnotificação, cultura punitiva e fragilidade na governança clínica.

Pressão assistencial e cultura punitiva

Nos ambientes de alta pressão, como UPAs e serviços pré-hospitalares, a sobrecarga assistencial, a escassez de recursos e a rotatividade de profissionais dificultam a implementação consistente de práticas seguras. O medo de responsabilizações individuais ainda inibe o disclosure de eventos adversos, comprometendo a transparência e a aprendizagem institucional.

Governança clínica e aprendizagem institucional

Além disso, a segurança do paciente frequentemente é tratada como obrigação normativa, e não como estratégia central de gestão. Sem análise sistêmica de incidentes, sem cultura justa e sem autonomia decisória dos Núcleos de Segurança, os protocolos tornam-se documentos formais desconectados da prática.

Segurança como estratégia de gestão

Superar esse cenário exige mudança estrutural: investir em cultura organizacional, fortalecer a análise de risco, adotar metodologias como o Protocolo de Londres e tratar a segurança como elemento estratégico da sustentabilidade do sistema.

Segurança do paciente não é custo — é governança clínica.

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