
A consolidação normativa da segurança do paciente no SUS contrasta com dificuldades persistentes na sua aplicação cotidiana, especialmente nos serviços de urgência e emergência. A cultura punitiva e o receio de responsabilizações individuais inibem o disclosure, comprometendo a transparência na comunicação de eventos adversos. Paralelamente, os Núcleos de Segurança do Paciente operam, muitas vezes, com limitada autonomia decisória, escassez de recursos humanos e materiais e forte subordinação administrativa. Fatores macroestruturais — como descontinuidade de políticas públicas a cada ciclo eleitoral e processos de aquisição orientados prioritariamente pelo menor custo — impactam diretamente a governança clínica e a qualidade assistencial. Superar esses entraves exige fortalecimento institucional, cultura justa e reconhecimento da segurança como eixo ético e estratégico do cuidado no SUS.
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